23.8.05


Uns Versos Quaisquer

Vive um momento com saudade dele

Já ao vivê-lo . . .

Barcas vazias, sempre nos impele

Como a um solto cabelo

Um vento para longe, e não sabemos,

Ao viver, que sentimos ou queremos . . .

Demo-nos pois a consciência disto

Como de um lago

Posto em paisagens de torpor mortiço

Sob um céu ermo e vago,

E que nossa consciência de nós seja

Uma cousa que nada já deseja . . .

Assim idênticos à hora toda

Em seu pleno sabor,

Nossa vida será nossa anteboda:

Não nós, mas uma cor,

Um perfume, um meneio de arvoredo,

E a morte não virá nem tarde ou cedo . . .

Porque o que importa é que já nada importe . . .

Nada nos vale

Que se debruce sobre nós a Sorte,

Ou, tênue e longe, cale

Seus gestos . . . Tudo é o mesmo . . . Eis o momento . .
.


Sejamo-lo . . . Pra quê o pensamento? . . .

by Fernando Pessoa

3 Comentários:

Às agosto 26, 2005 11:07 p.m. , Blogger kathy disse...

bem, venho agradecer os teus comentários no meu blog.
Espero que apareças por lá muitas vezes...

 
Às março 02, 2007 7:52 a.m. , Anonymous Anónimo disse...

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