Dados Viciados

Hoje descobri ao fim de muitos anos de relacionamento com uma pessoa, que o que ainda hoje nos liga enquanto amigos, ou o que lhe quiserem chamar, foi o que nós demos um ao outro. Só hoje me apercebi que ela também me deu algo, me fez algo, pensava que tinha sido uma coisa passageira, que pouco ou nada me tinha trazido, exceptuando as conclusões “Post-Mortem” do nosso namoro.
Uma conversa de café baseada em amores e desamores, em passado presente e futuro, em morte e em vida, em tudo e nada e na fragmentação do ser, levou-me a chegar a razão de nunca me ter conseguido separar dela; Eu fiquei a pertencer a ela e ela a mim, ela foi buscar fragmentos meus e eu fragmentos dela, só que eu apaixonei-me pelo que ela tinha e eu não tinha, o saber tocar algo, não violinos, não guitarras, apenas tocar o desejo. E ela o que tirou de mim? Tirou-me a minha filosofia barata, o meu pensar, a minha visão do mundo, até a minha maneira de gerar sentimentos (um dia quando já não precisar disto eu explico o sistema, tá?).
Quando olho para ela as vezes tenho medo do que vejo, pois vejo-me a mim… ou o que outrora fui, e assusta-me, não sei porque, mas um ser do sexo feminino com as características dela, aproxima-se da temida “femme fatale”, uma mulher manipuladora, temida e desejada… para que é que eu te ensinei a minha maneira de pensar, ficas-te tão poderosa, consegues controlar o teu mundo, e eu?
Tenho ainda as mãos para tocar, a boca para falar, os dedos para escrever… Ainda sei manipular, ainda sei provocar sentimentos…
………mas já não o quero, não o desejo….
…. Já vi que o caminho não é por ai, não é no viciar os dados, mas sim no deixar os dados rolar, e desejar que eles estejam a pensar no mesmo que nós…


2 Comentários:
bem! adorei essas palavras... essa "historia", a vivencia e a conquista de ambas as partes... fantastico como fiquei fã deste blog em pouco tempo...
beijo*
se so tivesses ficado fa do blog!!! mx parece k nao foi so isso
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