Narciso... my black fish...

Echo and Narcissus, by John William Waterhouse
Eco era uma ninfa muito tagarela. Zeus pediu-lhe então que distraisse Hera enquanto andasse nas suas aventuras extraconjugais. Eco assim fez. Ao descobrir tudo, Hera sentindo-se traída e humilhada, condena-a a repetir apenas os fins de frases que ela ouvisse.
Um dia, Eco vê Narciso e apaixona-se ardentemente por ele. Narciso era o filho do rio Céfiso e da ninfa Liríope. Era duma beleza invulgarmente rara. Todos os homens e as mulheres e até ninfas se apaixonavam por ele mas ele a todos desdenhava com uma inacessível frieza.
Uma vítima do seu desdém pede aos deuses que ele sinta a dor de não poder possuir o objecto do seu amor e é atendido por Nemésis, a deusa castigadora da insolência.
Aos 16 anos, Narciso perde-se numa caçada e inclina-se para beber água num riacho. Fica tão extasiado pela sua própria imagem que tenta agarrá-la. Porém, a imagem desvanece-se de cada vez que é tocada. Narciso, desesperado, deixa-se ficar perto da margem sem comer e sem dormir em vãs tentativas de satisfazer o amor de si mesmo.
Alguns dizem que acabou por morrer de uma languidez triste. Outros referem que se afogou. O que se sabe é que em sua homenagem, nasceu uma flor que tem agora o nome de Narciso.
Quanto a Eco, refugiou-se em grutas e recantos para fugir à dor do seu amor rejeitado. Dizem que ficou com a voz quase inaudível e que acabou por se transformar num rochedo...
obrigado pelos momentos

Fecho os olhos e sonho, numa penumbra de ânsia e prazer… que me quererás tu mostrar agora? Uma nova surpresa? Um novo momento? (Quantos momentos vividos em tão pouco tempo…); _ Já podes abrir… os olhos ansiosos por te verem, e ao abrirem olham para o teu céu particular… o nosso céu por uns instantes… sinto-te a meu lado, a tua pele na minha pele, porque tem o tempo de fugir? Porque não podemos parar o momento, porquê? Como seria bom…

...um momento...
... dois...
.... sente...
....fecha os olhos e sente...
Bastou isto para aquecer aquela noite fria...
Uns olhos fechados em silencio, umas mão confiantes indecisas, curiosas... tu e eu, a conhecermo-nos no silencio das palavras e na comunicaçao para lá do que as palavras possam querer dizer...
Uns minutos e Fernado Pessoa bastaram... para as mascaras cairem... mais umas horas, e mais umas conversas sobre nós... conversamos sobre nos e mal nos conheciamos, como foi possivel?... e logo ali, logo ali sem mascaras, nós sentimonos mais perto... E quando finalmente nos sentimos, sentimos o toque de pele, e a nossa fome de pele comessou a ser saciada, aí... aí sim, aí sentimo-nos nus... sentimo-nos libertos.. sentimo-nos...
E depois dessa noite, depois de saciar a minha fome de pele... depois de ter mergulhado fundo no meu ser, no nosso ser... depois disso... depois desse sonho... bem, depois acordei, mas continuei a sonhar...

As minhas mão tremem-me de amor, tremem-me de medo, tremem de cansaço, tremem de arrependimento… As minhas mão a tremer por coisas que fizeram e por coisas que não fizeram, as tremura vão passando para todo o corpo, que vai arrefecendo enquanto os pensamento vão acelerando pelo meu cérebro e vão libertando uma energia imensa que se dissipa sob a forma de um calor infernal. No meu corpo só o cérebro fervilha de dor, o resto gela de medo…
Que fiz eu até hoje? Nada fiz para chegar onde cheguei, contudo estou aqui. Já em outros campos do meu ser tudo o que fiz ou faço tem repercussões imediatas…
Já não sei o que digo, apenas sei que precisava furiosamente de escrever, talvez para libertar o meu ódio por tudo, até o ódio que me faz odiar-me a mim próprio até as entranhas, pois nada do que faço está bem, ou poderia estar melhor, quero atingir um limiar de perfeição, que me leve a sentir realizado, acho que todos queremos isso, mas quando andamos lá perto, não queremos o perto, porque o longe sabia melhor…
Será que estou a fazer sentido? Acho que não, ainda não devem ter passado dois minutos e já tenho isto tudo escrito…. Como o pensamento voa… e eu não o sei aproveitar para planar sobre os problemas… apenas o uso para o admirar, para poder atribuir culpas por não conseguir sair do chão e passar os problemas, talvez devido ás tremuras por todo o meu corpo gelado…
Traição

Somos todos os dias traídos sem nos apercebermos, nós próprios traímo-nos e nem sequer reparamos.
Quantos de nós nem reparam que ao fazerem algo em que não acreditam se estão a trair? Quantas almas presentes na homilia dominical estão lá a traírem a sua própria crença? Será que o próprio padre também não se está a trair a ele próprio? E aquelas tardes, noites… em que estamos com alguém, e vem outro alguém interromper porque por acaso houve uma coincidência no espaço temporal que levou a que aquele momento de dois fosse de três ou mais? Não nos estamos a trair quando apesar de pensarmos qualquer coisa do tipo “não venhas para aqui senta-te noutro lado”, dizemos “senta-te, está a vontade”…
Mas bem pior que estas traições, é a traição do coração pela razão, quando ele a chorar de dor, prostrado no chão, esmagado, desfeito em mil pedaços, quando só lhe apetece deixar de bater, mas não, ninguém nota o coração, só notam a cara de indiferença, a razão não permitiria nunca que o coração falasse mais alto num momento em que nada de razão existe nele. Que traição de nós a nós mesmo, não sermos quem somos, porque não gostamos do que sentimos.
Um café... por favor...

Um café por favor, enquanto acendo um simples relaxante cigarro, espero por aquela bebida de tons castanhos de aroma inigualavel, com um sabor incunfundivel, e de um prazer imenso, principalmente acompanhado por um cigarro...
Coisas tão simples fazem-me tão feliz, um simples café, um misero cigarro... contudo, nem tudo o que nos tras prazer e felicidade é tão facil de obter. Houve tempos em que não fumava, não bebia café, e era feliz na mesma, hoje em dia, preciso de café cigarros, e de amor, a coisa provevelmente mais dificil de se sentir e conquistar. Houve tempos em que apesar das dificuldades, eu o consegui tornar facil, dava-me até ao luxo de o ridicularizar, gastava de mais a palavra Amo-te, axo que a gastei tanto, que a disse tantas vezes que hoje, entre os cafés e os cigarros, Amor é daquelas coisas que não digo... mas sinto, e só alguem que é superior a tontos nós (se é que existe) sabe o quanto o sinto... Tu pareces nem reparar, ou preferes não te importar com o que sinto, entre os cafés e os cigarros la temos mais uma conversa, mais um acumular de sentimentos despresados, mais um acumular de horas, não digo desperdissadas, mas talvez, mal entregues, pareces não ver nos meus olhos o que qualquer pessoa ve quando estou contigo, entre um café e um cigarro.
A minha alma, será para sempre um café de cor negra, terá sempre o seu lado nocturno, serei sempre o eterno anjo demoniaco, serei sempre a antitese para todos aqueles que gosto, principalmente para quem Amo, serei sempre capaz de ser aquela pessoa para se desabafar e para falar em silencio, aquele que te sabe dar Amor, e que ontudo te sabe magoar com a crueza cruel dos factos... Serei sempre eu, e tu? Será que alguma vez vens tomar café comigo por entre o fumo de uns cigarros, e vais apreciar a minha alma de caféina e nicotina?
Quem sabe, talvez um dia a aprecies para Casar...