
Contemplo o infinito, duas imensidões tão perto uma da outra, quase que as sinto só com um olhar… O Oceano, a praia. Ainda me lembro quando era puto, na escola primaria, me explicarem o infinito com exemplos tão básicos, mas de tão vasta complexidade se pensarmos no seu conceito…
Lembro-me de me dizerem; “infinitos são os grãos de areia na praia, as gotas de água no oceano e o espaço… Agora sei, devido a algumas cadeiras da universidade, que só o espaço é infinito, os outros apenas tendem para esse infinito, porque basta-nos sabermos quantas moléculas de água existem num cm³ de água do Mar e o Volume Total do Oceano, para obtermos um numero muito aproximado ao real, basta saber quantos grãos existem num cm³ de areia e o Volume Total de areia numa praia para podermos saber quantos grãos de areia existem nessa praia…
O infinito… Resta-me apenas o espaço e as estrelas, porque os outros conceitos enquanto puto foram-me roubados…
Porque muitas coisas tendem para infinito, mas muito poucas realmente o são…

Tenho inspiração, hoje, fervilham-me as veias de tanta inspiração, contudo, mesmo perante este cenário quase paradisíaco, quase idílico para mim, esta dicotomia praia cidade, só consigo pensar em ti. Contemplo o mar como se te estivesse a olhar, a ouvir, duas coisas tão complexas, tão confusas e ao mesmo tempo tão belas.
A vastidão e complexidade que tu encerras ainda me faz querer conhecer-te melhor, faz-me correr por um objectivo que ainda não sei qual é, mas seu que vai valer a pena. Basta ter paciência, saber esperar e o futuro se encarregara do resto. Nunca soube esperar, nunca dei tempo ao tempo, e agora sou eu quem persiste em ter o factor tempo do meu lado. Mais um paradoxo na minha vida.
Vem-me a memoria uma canção, tu sabes qual é(por acaso deve neste momento ser a canção do blog), aquela canção cheia de interrogações, que me põe ainda hoje a procurar o sentido mais rebuscado das palavras que a constituem… Foi assim como aquela canção o nosso tempo… Será que irá continuar a ser???
Será?
Será?

Será que ainda me resta tempo contigo
ou já te levam balas de um qualquer inimigo
Será que soube dar-te tudo o que querias
ou deixei-me morrer lento no lento morrer dos dias
Será que fiz tudo o que podia fazer
ou fui mais um cobarde nao quis ver sofrer
Será que lá longe ainda o céu é azul
ou já o negro cinzento confude o norte com o sul
Será que a tua pele ainda é macia
ou é a mão que me treme sem ardor nem magia
Será que ainda te posso valer
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer
Será que é de febre este fogo
este grito cruel que da lebre faz lobo
Será que amanha ainda existe para ti
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri
Será que lá fora os carros passam ainda
ou estrelas cairam e qualquer sorte é bem vinda
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes
Será que o sol se põe do lado do mar
ou a luz que me agarra é sombra de luar
Será que as casas cantam e as pedras do chão
ou calou-se a montanha rendeu-se o vulcão
Será que sabes que hoje é domingo
ou os dias nao passam são anjos caindo
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir
Será que sabes que te trago na voz
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra
Será que consegues ouvir-me dizer
que te Amo tanto quanto outro dia qualquer
Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia nem dia sem fim
Eu sei que me queres e me Amas também
me desejas agora como nunca ninguém
Não partas entao não me deixes sozinho
vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será 4x's
by: Pedro Abrunhosa
Mas...

A noite está calma, tudo está calmo, só o meu coração não encontra calma nesta escuridão solitária a que me remeto esta noite no meu quarto, esta noite no meio de tantas outras… Os pensamento flúem, não como um rio que irá sempre ter ao mar, mas como grãos de areia numa ampulheta, ora sobem, ora descem… O coração acompanha os pensamentos… acelera… acalma…
A tua voz percorre o meu ser, a tua imagem gravada no meu coração, circula já por todo o meu corpo, até ao capilar com menor secção…. O teu cheiro inebria-me em pensamentos não muito distantes… As minhas mão sem o auxilio de qualquer outro sentido que não o tacto, desenham a tua silhueta no meio do enorme vazio do meu quarto… Quase te tenho aqui comigo, cheiro-te, sinto-te, vejo-te… mas… Há sempre um mas, por exemplo este texto poderia quase ser uma carta de Amor, para ti, mas como disse… Há sempre um mas….

Uma onda vem… calma e serena acaba por morrer na areia. A areia, esse eterno cemitério de ondas, ou um eterno renascer do nada se se vir as coisas por outro prisma… A tua cara vem e vai como uma onda… vem …. e vai… veio… foi… Veio uma amizade… ficou… veio uma paixão... foi… Será que algum dia irá voltar? Será uma onda do mar? Ou será algo mais do que a memoria de uma onda que na areia acabou por morrer?
Vem e vai… como tudo na vida, temos e que saber aproveitar o instante entre o vir e o ir… entre o principio e o fim, pena de vez em quando certas coisas terem uma duração muito pequena para a essência contida em todo o seu ser…
Paixão...

Paixão, esse sentimento com que me debato ao longo dos tempos, ontem tive a oportunidade de a olhar nos olhos, de lhe dizer o que pensava dela, disse-lho, mas soou-me a algo familiar, algo que já tinha ouvido em algum lugar distante… já em casa depois de a paixão me ter fechado os olhos e me ter sorrido daquela maneira uma ultima vez, li o que ela me tinha escrito… O cheiro dela dominou o meu corpo fragilizado, os pensamento transcritos no papel embriagaram todo o meu ser… não, não pode, isto é muito parecido com aquilo, com aquilo que fiz quando era eu a paixão… O feitiço virado contra o feiticeiro… contudo, aceitei a razão da paixão, ela foi, mas ficou…
Hoje ao acordar tentei substitui-la, pensei e pensei, e só um único nome me veio a cabeça, aquele que nunca me abandonou, e que agora o abandonei, para sempre, e desta vez o infinito do sempre não é muito tempo… O cigarro, tinha desejo daquele breve encontro com aquele meu amante e confidente, tive-o hoje a tarde, mas já não me compreende ele… Talvez porque ainda existe algo mais, que quando eu o deixei ele não conhecia… talvez…. Ou talvez não…
Aquele lugar em que um dia vou ser feliz, imagino-o em silencio enquanto penso no momento em que o encontrarei... em que o alcançarei... Não precisa de muito esse lugar, apenas de mim e de ti, abraçados, no silencio do olhar, e no silencio do mundo...Um lugar calmo sossegado, em que não exista mais nada que o nada, e que esse nada seja o tudo... Eu e tu, sentados, deittados, de pé, pouco importa, queria apenas estar contigo, falar contigo, num longo breve momento em que os desgostos, as marguras, os receios, os preconceitos, ficariam para depois. Como seria bom, mas contudo para já é impossivel, ou melhor, pouco provavel... Porque de impossiveis esta o meu mundo cheio, desde que tudo o que eu amava, acabou, para sempre, pelo menos aqueles amores, acabaram... e nada, mas nada os fara voltar... Sei, que é duro olhar assim para o passado, mas é a unica maneira de o olhar quando não se acredita em nada, para além de nós...
Noite negra demoníaca, sento-me a contemplar-te no vazio imenso dos meus infinitos pensamentos… Na imensidão dou por mim a pensar no finito de uma pessoa, penso mas quem me dera não pensar, sei que é loucura, sei que mal a conheço, sei que ate o céu me é mais familiar que tu….
Aquela vontade de conhecer o desconhecido, o espírito aventureiro de todos os portugueses está presente em mim, será que sou descendente de algum descobridor? Ou talvez de alguém que apenas tenha tripulado aquelas naus dos descobrimentos… O desfio hoje não e navegar por mares nunca antes navegados, mas por mentes e sentimentos que ninguém descobriu, conhecer alguém como ninguém ousou conhecer…
Quero mais uma noite, uma tarde, uma manha, quero descobrir o teu infinito, mergulhar na tua alma e afogar-me nos teus sentidos... sentir-me em ti…
Desejo-te, mas não sei se quero….

Uma fonte brota sangue pingando e salpicando a pedra negra de pecado…
Pingo a pingo o vermelho do sangue enegrece cada vez mais a pedra, cada vez ela fica mais alegremente triste. Todos que passam por essa fonte, a odeiam, a acham obra demoníaca de um belzebu qualquer que perdido passou por essas terras…
Eu passei por ela, olhei-a, e aproximei-me dela para saciar a minha sede, sede de gloria, sede de poder… sede de sede, e fome de fome, a fonte me saciou… alimentou toda a escuridão da minha alma, tornou-a potável… Não para todos, mas apenas para aqueles que gostam de saciar a sede de fome como eu….