
O mundo abandonou-me, ou eu fui-o abandonando, já não sei, começou tudo já faz tanto tempo, que já nem me lembro de quem eu era na altura, e hoje já não sei quem sou… quem conheço…. quem conheci…. A única certeza que tenho é que não há certezas, e que tudo nos foge das mãos como grãos de areia numa tarde com uma leve brisa, e se vai espelhando e misturando com o resto, logo que as coisas nos fogem das mãos já nem as reconhecemos no meio de tantas outras, foi mais alguma coisa que o vento levou… A minha vida está espalhada pelo mundo que todos conhecem, mas só eu é que ainda vou retendo alguns grãos como recordação, aqueles grãos que se colam ás minhas mãos, que ficam no meu mundo, e que não voam com o vento. Pelo menos era assim que pensava, até ver que mesmo esses grãos voam, se eu não os proteger….
Estou farto, farto de aprender sempre da pior maneira, de estar sempre à espera que tudo corra bem, de me entregar, de viver, de estar sempre lá, de ser sempre aquele grão de areia que cola ás mãos, por muitas mãos…. Mas apesar de estar nas mãos de muita gente, ninguém ficou nas minhas….
Estou só, e só me apetece voar com o vento, juntar-me aos outros grãos que ainda não conheço, e ficar ali abandonando até que alguma mão queira que eu fique ali, mais um pouco de tempo, e que nem o vento me consiga levar…
Estou farto, farto de aprender sempre da pior maneira, de estar sempre à espera que tudo corra bem, de me entregar, de viver, de estar sempre lá, de ser sempre aquele grão de areia que cola ás mãos, por muitas mãos…. Mas apesar de estar nas mãos de muita gente, ninguém ficou nas minhas….
Estou só, e só me apetece voar com o vento, juntar-me aos outros grãos que ainda não conheço, e ficar ali abandonando até que alguma mão queira que eu fique ali, mais um pouco de tempo, e que nem o vento me consiga levar…


