8.1.07


O mundo abandonou-me, ou eu fui-o abandonando, já não sei, começou tudo já faz tanto tempo, que já nem me lembro de quem eu era na altura, e hoje já não sei quem sou… quem conheço…. quem conheci…. A única certeza que tenho é que não há certezas, e que tudo nos foge das mãos como grãos de areia numa tarde com uma leve brisa, e se vai espelhando e misturando com o resto, logo que as coisas nos fogem das mãos já nem as reconhecemos no meio de tantas outras, foi mais alguma coisa que o vento levou… A minha vida está espalhada pelo mundo que todos conhecem, mas só eu é que ainda vou retendo alguns grãos como recordação, aqueles grãos que se colam ás minhas mãos, que ficam no meu mundo, e que não voam com o vento. Pelo menos era assim que pensava, até ver que mesmo esses grãos voam, se eu não os proteger….
Estou farto, farto de aprender sempre da pior maneira, de estar sempre à espera que tudo corra bem, de me entregar, de viver, de estar sempre lá, de ser sempre aquele grão de areia que cola ás mãos, por muitas mãos…. Mas apesar de estar nas mãos de muita gente, ninguém ficou nas minhas….

Estou só, e só me apetece voar com o vento, juntar-me aos outros grãos que ainda não conheço, e ficar ali abandonando até que alguma mão queira que eu fique ali, mais um pouco de tempo, e que nem o vento me consiga levar…

6.1.07


Quero chegar á montanha, subir pedra a pedra a íngreme encosta, parar para apreciar a paisagem, ir conhecendo todos aqueles que se cruzarem no meu caminho, ficar com alguns um bocado de tempo, deixar outros acompanhar-me na minha viagem, deixa-los quando eles já não se sentirem tão entusiasmados como eu…
Neste percurso, que sei que vai demorar, nunca irei descansar até alcançar o cume, sentar-me nele escrever um texto sobre tudo o que se passou na estranha e longa caminhada, e depois procurarei um abismo com vista para as sombras, onde fique para sempre a cair de olhos fechados e de costas viradas para a longa caminhada.

E se alguém perguntar quem eu fui, bem, leiam-lhe uma tenebrosa historia de amor, que alguém acabou de escrever sentado no ponto mais alto de uma montanha chamada vida.