27.6.07


Pega-me pela mão enquanto dizes que precisas de falar comigo, como quando tínhamos uma idade menos avançada, como quando corávamos antes de nos engasgarmos, antes de falarmos, antes de saírem uma palavras já muito pensadas, já muito esquematizadas e planeadas, um discurso que não iria dar a entender tudo, um outro para o caso de as nossas palavras não serem interpretadas como queríamos…. E depois, na altura, naquele momento em que estávamos a sós, que os nossos olhos tremiam, que a barriga não se calava, que as pernas pareciam sujeitas a uma força gravítica diferente da do resto da humanidade… nessa altura, saía um simples “gosto de ti” balbuciado pelos nervos, quase que nos batíamos pelas palavras saírem sem pedirem autorização, por o discurso não ter sido aquele planeado… Mas era tudo tão verdadeiro, tudo tão complicadamente simples….

O mundo está bom é para os inocentes…

19.6.07


Amor de morte, alguém proferiu estas palavras no silencio de um café. Um silencio ensurdecedor, continuado por diálogos dos quais não fiz questão de participar, ainda estava a pensar no amor de morte, no que essas palavras poderiam significar noutro qualquer contexto, ou numa ausência completa de contextualização…

Reparo agora que estou no silencio do meu quarto, na fragilidade intensa dessas palavras, no tanto que podem conter…

A minha vida sempre foi amar de morte, amo até á exaustão, até á morte do amor… ate á morte de uma parte do meu ser, até aos poucos e poucos ir deixando de ser eu e ser reanimado por uma qualquer estranha sombra reconfortante que me resgata das trevas e me leva para a luz, e faz de mim o seu corpo, corpo que ela precisa para existir, eu , ser para quem ela vive, ser que sem ela não existe, e que até depois de morto continuará com a sombra, só que já não é a luz externa que a faz aparecer, mas o escuro interior…

Acumulo sombras dentro das minhas trevas, sombras de sombras, amores de morte, que me resgataram de amores de morte… Quando haverá o tal Amor simplesmente, ou serei apenas simplesmente um eterno cangalheiro de sombras? Um coveiro de Amores? Um algibebe de Dona Morte (como uma grande senhora disse um dia)?