30.3.07

Gostava que esta noite conseguisse dormir


São já muitas noites em que durmo acordado, ou que vivo a sonhar. Preciso de uma noite tranquila, de paz, sossego, sem sonho nem pesadelo, preciso da noite em que dormia sossegado no berço, em que a fome de pele me era saciada, em que eu era eu, o mundo era eu uma casa e a família…. Aqueles pequenos instantes…. Mas crescemos, o mundo cresce connosco, e de repente o dia fica mais curto, a noite alonga-se, o sonho diminui, a vida continua igual, os olhos fecham-se na mesma, mas já não se fecham para dormir, fecham-se para beijar, fecham-se para pensar, fecham-se para descansar…

É já tarde, a fome de pele assola-me a alma, os olhos querem descansar num beijo, para evitarem o pensar de uma noite de descanso, sozinho, numa cama fria, em que a pele se torna frágil, vulnerável, e em que todo o meu corpo grita no silencio do escuro por um corpo que o aqueça, um corpo capaz de saciar a sua fome de pele….

26.3.07




Mata-me

Deita-me num qualquer altar, pode ser a tua cama, beija-me, sussurra-me ao ouvido “Quero-te”
Aí estas tu, aqui estou eu, a sentir cada um dos espinhos que me rasgam a pele, que me ferem o coração, piores que punhais, os espinhos da Rosa que és…. Rosa não de nome mas de beleza, espinhos não dos que picam, mas dos que matam… Matam-me o ser, deixam-me a alma, deixam-na a sangrar, mas deixam-na…. Ela não foge, mas é como se fugisse…. Eu não quero, mas ela não me deixa querer….
E assim, bem, um dia todos temos que morrer….
E a morrer, ao menos que seja a morrer, do doce veneno… infligido pelo espinho de uma rosa….

16.3.07

Foz, Porto 15:50


14/03/2007

Como seria bom conseguir pensar, nem que fosse só por um instante apenas, pensar em alguma coisa que não fosse em ti, no quase tudo que fomos e no nada que somos.
Dizem que o Homem é um ser racional, tretas... tretas e mais tretas... a única pessoa que fez uma descrição decente de mim enquanto parte da Humanidade, não a fez para um todo, restringiu-a a um grupo , ao dos Poetas (todos podemos ser poetas, não é preciso fazer versos... basta olhar o mundo com um olhar diferente), que falta fazes F. Pessoa....

“Autopsicografia"

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda Gira,
a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração. "

Na realidade toda a Humanidade pensam em determinada altura da vida, aquela altura em que não sabem o que é o Amor, em que não sabem o que é a Paixão e em que o Sexo não é mais do que uma ilusão...


Conheci a Paixão, o Amor, o Sexo ( os dois primeiros com algumas (x), o último com algumas(x) menos (-) a maior parte (y)) .


Hoje, dou por mim, sozinho, a pensar em nada, no nada que para mim é o tudo, enquanto o mundo caminha á minha volta... Tudo se resume a uma equação....


O meu Mundo...


A minha vida...

Tudo é equivalente (=) a:


Vida (=) x – y = Solidão

11.3.07


Se eu morresse hoje, o que é que tu me dirias amanha?

6.3.07


Sobe o pano, o palhaço entra calmamente, ainda a chorar por dentro, sorri para o publico, faz umas palhaçadas... acaba o seu trabalho recolhe os sorrisos da platéia guarda-os no bolso, as palmas ficam a entoar por um bocado na memória...
Chegas ao teu camarim, uma estrela a porta, o teu nome, as palmas ainda se ouvem (mas já não são aquelas que eram tuas, são as de outro alguém), abres a porta, entras, sentas-te, olhas-te ao espelho.... Tiras a maquilhagem e ainda choras, as lagrimas ajudaram-te no processo.... Voltas a ser tu não és mais o palhaço, não és mais um sorriso, és tu, pensas nela, pensas na vida, e por fim? Bem, o pano da vida fechou-se naquele momento, o teu eterno palco fechou-se, pegas na arma e... já não és mais quem foste... a cortina desce com o teu caixão...
Muitos ainda riem, muitos ainda choram, mas porque nunca ninguém chorou? Porque nunca ninguém riu? Porque ninguém fez isso contigo antes do cair do pano?